sexta-feira, 10 de abril de 2009

A REVELAÇÃO

A Revelação é a manifestação de Deus e de sua vontade acerca de nossa salvação. Vem da palavra “revelar” que quer dizer “tirar o véu”.

Deus se revelou de duas maneiras:

1)A Revelação natural (mediante as coisas criadas). Diz o apóstolo Paulo: “Tudo aquilo que podemos conhecer de Deus Ele mesmo no-lo manifestou. Pois, se a Ele não podemos ver, o contemplamos, pelo menos, através de suas obras, uma vez que Ele fez o mundo e por suas obras entendemos que Ele é eterno e poderoso e que é Deus” (Rm 1,19-20).

2)A Revelação Divina (sobrenatural):
Desde o princípio Deus revelou-se através de um contato mais direto com os homens, mediante os antigos profetas e de uma maneira perfeita e definitiva na pessoa de Cristo Jesus, o Filho de Deus.”Em diversas ocasiões e sob diferentes formas, Deus falou a nossos pais, por meio dos profetas, até que, nestes dias que são os últimos, nos falou por meio de seu Filho (Hb 1,1-2)”.

Como foi transmitida a Revelação Divina?

1) Oral (Sagrada Tradição Apostólica)
2) Por escrito (Sagrada Escritura)

Para levar o Evangelho por todo o mundo, Jesus encarregou os apóstolos e seus sucessores, como pastores da Igreja que Ele fundou pessoalmente. “Vão e façam que todos os povos sejam meus discípulos. Batizem-nos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinem-nos a cumprir tudo o que eu lhes ensinei. Eu estou com vocês todos os dias até que se termine este mundo” (Mt 28, 18-20).

Aqui é onde Jesus ordenou “pregar” e “proclamar o Evangelho”. E de fato, os apóstolos “pregaram” a Boa Nova de Cristo. Somente anos depois alguns deles colocaram por escrito esta pregação. Isto é, no início a Igreja se preocupou em pregar o Evangelho. Certamente o Evangelho que Jesus entregou a seus Apóstolos não estava escrito (Mc 16, 15; Lc 10, 16).

TRADIÇÃO APOSTÓLICA

Esta mensagem ouvida da boca de Jesus, vivida, meditada e transmitida oralmente pelos apóstolos se chama “Tradição Apostólica”.

Aqui, quando falamos da “Tradição” (com maiúscula) referimo-nos sempre à “Tradição Apostólica”. Não devemos confundir a “Tradição Apostólica” com a “tradição” que em geral se refere a costumes, idéias, modos de viver de um povo e que uma geração recebe das anteriores. Uma tradição deste tipo é puramente humana e pode ser abandonada quando se considera inútil. Assim Jesus mesmo rejeitou certas tradições do povo judeu: “Vocês inclusive dispensam dos mandamentos de Deus para manter a tradição dos homens”(Mc 7, 8).

A Tradição Apostólica se refere à transmissão do Evangelho de Jesus. Jesus, além de ensinar seus apóstolos com discursos e exemplos, ensinou-lhes uma maneira de orar, de agir e de conviver. Eram estas as tradições que os apóstolos guardavam na Igreja. O apóstolo Paulo em sua carta aos Coríntios refere-se a esta “Tradição Apostólica”: “Eu mesmo recebi esta tradição que, por sua vez, lhes hei transmitido” (1Cor 11, 23).

A Igreja viveu muitos anos da Tradição Apostólica, sem ter os livros sagrados do Novo Testamento.

Está claro que, ao escrever o N.T., não se colocou por escrito “todo” o evangelho de Jesus. “Jesus fez muitas outras coisas. Se escrevessem uma por uma, creio que não haveria lugar no mundo para tantos livros”, nos diz o apóstolo João (Jo 21, 25).

SAGRADA ESCRITURA

Somente uma parte da Palavra de Deus proclamada oralmente, foi posta por escrito pelos próprios apóstolos e outros evangelistas de sua geração.

Estes escritos, inspirados pelo Espírito de Deus, dão origem ao Novo Testamento (N.T.), que é a parte mais importante de toda a Bíblia.

A Sagrada Escritura e, especialmente o N.T., é a Palavra de Deus, que nos manifesta o Filho em quem Deus expressou o resplendor de sua glória (Hb 1, 3). Podemos dizer que só a parte mais importante e fundamental da Tradição Apostólica foi posta por escrito. Mas nem toda a pregação de Jesus foi escrita na Bíblia. Por esta razão a Igreja sempre teve uma veneração muito especial pelas Divinas Escrituras, mas igualmente dá importância à Tradição que nos vem, inclusive, de antes que se escrevesse o Novo Testamento.

Jesus, cujo nome quer dizer: Deus salva, nos revelou Deus mediante suas palavras e obras, seus sinais e milagres: sobretudo mediante sua encarnação, vida, morte e ressurreição.

Podemos afirmar que Deus, com o intuito de salvar a humanidade, enviou seu Filho ao mundo, e, seu Filho deixou-nos a Igreja que é assistida pelo Espírito Santo. Tudo o que Jesus fez e ensinou se chama “Evangelho”, isto é, “Boa notícia da Salvação”.
OBS.: Então podemos dizer que a revelação divina chegou até nós pela Tradição Apostólica e pela Sagrada Escritura. Não como duas fontes separadas, mas como dois aspectos da Revelação de Deus. O Concílio Vaticano II descreve isto muito bem. “A Tradição Apostólica e a Sagrada Escritura emanam da mesma corrente e correm para o mesmo fim”.

“Tudo o que aprenderam, receberam e ouviram de mim, tudo o que me viram fazer, façam-no” (Fl 4, 9).

“O que aprendeste de mim, confirmado por muitos testemunhos, confia-o a homens que mereçam confiança, capazes de instruir depois os outros” (2 Tim 2, 2).

“Irmãos, mantenham-se firmes guardando fielmente as tradições que lhe ensinamos por palavra e por carta” (2 Tes 2, 15).

O MAGISTÉRIO DA IGREJA

A Revelação Divina abrange a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura. Este depósito da fé (1 Tim 6,20; 2 Tim 1, 12-14) foi confiado pelos apóstolos ao conjunto da Igreja.

O ofício de interpretar corretamente a Palavra de deus, oral ou escrita, foi confiado somente ao Magistério vivo da Igreja. Ela o exercita em nome de Jesus Cristo, com a assistência do Espírito Santo (2 Pd 1, 20).

Segundo a tradição apostólica formam este magistério os bispos em comunhão com o sucessor de Pedro que é bispo de Roma, o Papa.

O Magistério não está acima da Revelação Divina, mas está a seu serviço, para ensinar, guardar e anunciar puramente o que foi transmitido por mandato divino.
Resumo: A Tradição, a Escritura e o Magistério da Igreja, segundo o plano de Deus, estão intimamente unidos, de modo que nenhum pode subsistir sem os outros. Os três, cada um segundo seu caráter e sob a ação do único Espírito Santo, contribuem eficazmente para salvação dos homens como pilares da Igreja. “Preparada pelo PAI, fundada por JESUS CRISTO, tendo como garantia de infalibilidade a assistência do ESPÍRITO SANTO”.

Próximo post colocarei algumas curiosidades sobre a bíblia!

Fiquem com Deus

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